" O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer, o tolo porque tem que dizer alguma coisa." (Platão)
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A chuva sempre traz memórias...
Vejo a chuva pela vidraça...
Penso se há uma razão
alguma coisa que explique
que esclareça aquilo que falta em mim
aquilo que me libertaria
qualquer ideia
mas que fosse reveladora e iluminasse meus erros
Meu passado...
um emaranhado de flashes, cenas
vazias.
O clima seco
mãos na terra
nada além de mim
e as dúvidas
e a criança
e o medo
Silêncio...
e então
os erros
acertos
alegrias
tristezas
amizades
e os outros...
Ahhh, sempre os outros!
Aqueles que não sabem nada do que se encontra atrás dos meus olhos
mas também, nem poderiam
eles...
é tudo interesse não é?
é tudo calculado, projetado, manipulado
por eles! não é?
Mas isso é tudo.
O resto é comigo mesma!
com algo que busco
talvez nunca tenha perdido
talvez nunca tenha tido para perder...
ahh! Minhas tolices...
Sempre foram minhas tolices afinal, quem sabe?
Que nunca me deixaram fugir daquela casa,
do nada dos olhos da criança muda e magricela
que a tudo dizia sim
Sim
até hoje
Sempre sim
Aquela criança...
cresceu, mas continua a mesma,
continua presa
no quintal das suas brincadeiras
e é cada vez mais difícil
tentar sair dele
a criança não deixa
e puxa de volta pela manga
Como pode essa menina raquítica
ter tanta força?
E quanto mais longe eu me afasto
Depois eu sei
Mais forte ela fica
Chove...
A criança deve estar sentada ao lado do velho fogão de lenha
teve de abandonar o quintal
foi chamada pra dentro
posso vê-la
olhando com os olhos de vazio a chuva cair
ou seria lágrimas escorrendo pelo vidro?
Estes olhos refletidos na janela...
engraçado, mas vejo os meus
e não os dela.
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